Especificamente nas
fronteiras entre Brasil e Guiana Francesa (Figura 1), onde está localizado o município de
Oiapoque, destaca-se a diversidade de grupos indígenas que vivem na região. Com cerca de 30 anos de existência, a comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho
é o primeiro quilombo amapaense que se iniciou como quilombo urbano. Os quilombos
urbanos são formados por pessoas negras que vivem nos arredores das cidades,
que passam a ter um vínculo comum, a ancestralidade negra, ainda que o quilombo
seja um lugar para a acolhida de brancos empobrecidos, com os quais passam a
estabelecer laços de solidariedade.
No município de Oiapoque, durante a noite, pai Bené sonhou com o lugar escolhido para estabelecer o santuário de São Benedito de Aruanda e assentamento da comunidade deveria ter a presença de uma árvore conhecida como Samauma. A procura pelo local preconizado no sonho levou pai Bené e alguns colaboradores a entrarem em uma área extensa de mata. Ao caminhar pela mata, encontraram a Samauma ou mãe grande, sinal de que era o lugar onde deveria ser fundada a comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho. Em geral reuniões importantes, ou como dizem um "redevous" ocorrem próximo a mãe grande (Figura 2). Ela é uma poderosa árvore lembrada até pelas crianças em seus desenhos (Figura 3).
O nome Patauazinho refere-se ao córrego que corta o território da comunidade. O nome Patuazinho está relacionado aos patois, uma espécie de amuleto feito para o Candomblé. Já o nome Kulumbu evoca uma comida típica dos negros da Guiana Francesa. O acesso à comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho é possível através de transportes como carro, moto ou bicicleta. Saindo do extremo norte, via BR-156, cerca de 5 km de asfalto, somados a mais ou menos 1 km de terra batida, levam à localização da comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho, no bairro Infraero. Logo na entrada da comunidade, uma ponte de madeira permite o acesso ao lugar (Figura 4).
O território da comunidade é marcado por um rico ambiente de vegetações de floresta densa, de árvores de portes pequenos, médios e grandes. Portanto, é preciso conhecer o significado do território ocupado, onde é consenso que os grupos negros retiram da terra não somente a produção necessária para seu sustento, mas as histórias referentes à ocupação singular do lugar.


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