quarta-feira, 18 de maio de 2022

O lugar da comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho

 

Especificamente nas fronteiras entre Brasil e Guiana Francesa (Figura 1), onde está localizado o município de Oiapoque, destaca-se a diversidade de grupos indígenas que vivem na região. Com cerca de 30 anos de existência, a comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho é o primeiro quilombo amapaense que se iniciou como quilombo urbano. Os quilombos urbanos são formados por pessoas negras que vivem nos arredores das cidades, que passam a ter um vínculo comum, a ancestralidade negra, ainda que o quilombo seja um lugar para a acolhida de brancos empobrecidos, com os quais passam a estabelecer laços de solidariedade.

Figura 1: Mapa de localização do município de Oiapoque onde se encontra a comunidade. Fonte: Lima; Gambim Júnior, 2022.

No município de Oiapoque, durante a noite, pai Bené sonhou com o lugar escolhido para estabelecer o santuário de São Benedito de Aruanda e assentamento da comunidade deveria ter a presença de uma árvore conhecida como Samauma. A procura pelo local preconizado no sonho levou pai Bené e alguns colaboradores a entrarem em uma área extensa de mata. Ao caminhar pela mata, encontraram a Samauma ou mãe grande, sinal de que era o lugar onde deveria ser fundada a comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho. Em geral reuniões importantes, ou como dizem um "redevous" ocorrem próximo a mãe grande (Figura 2). Ela é uma poderosa árvore lembrada até pelas crianças em seus desenhos (Figura 3). 


Figura 2: Sra. Vilma representante da Fundação Palmares, após reunião na comunidade. Foto: Jelly Lima, 2018. 


Figura 3: Desenho da Samauma ou mãe grande feito por uma das crianças da comunidade. 

O nome Patauazinho refere-se ao córrego que corta o território da comunidade. O nome Patuazinho está relacionado aos patois, uma espécie de amuleto feito para o Candomblé. Já o nome Kulumbu evoca uma comida típica dos negros da Guiana Francesa. O acesso à comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho é possível através de transportes como carro, moto ou bicicleta. Saindo do extremo norte, via BR-156, cerca de 5 km de asfalto, somados a mais ou menos 1 km de terra batida, levam à localização da comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho, no bairro Infraero. Logo na entrada da comunidade, uma ponte de madeira permite o acesso ao lugar (Figura 4).


Figura 4: Acesso principal da comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho. Foto: Jelly Lima, 2018. 

 O território da comunidade é marcado por um rico ambiente de vegetações de floresta densa, de árvores de portes pequenos, médios e grandes. Portanto, é preciso conhecer o significado do território ocupado, onde é consenso que os grupos negros retiram da terra não somente a produção necessária para seu sustento, mas as histórias referentes à ocupação singular do lugar.


(Texto retirado da referência: LIMA, Jelly Juliane Souza; GAMBIM JÚNIOR, Avelino. RELATO DE EXPERIÊNCIA: A prática da pesquisa histórica e o uso de metodologias alternativas para o reconhecimento do território da Comunidade Quilombola Kulumbu do Patuazinho na fronteira franco-brasileira. Revista Kwanissa, São Luís, v. 05, n. 12, p. 437-460, jan/jun, 2022. 

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