domingo, 22 de maio de 2022

Reportagem Bom dia Amazônia (AP) sobre a comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho

            No dia 20 de Fevereiro de 2015, o Programa Bom dia Amazônia (AP) exibiu um vídeo de aproximadamente 5 minutos sobre a comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho, que faz parte da série “Quilombos Urbanos” https://globoplay.globo.com/v/3981316/

           Na primeira publicação do nosso blog realizada no dia 16 de maio de 2022 destacamos como se forma um quilombo urbano: “Os quilombos urbanos são formados por pessoas negras que vivem nos arredores das cidades, que passam a ter um vínculo comum, a ancestralidade negra, ainda que o quilombo seja um lugar para a acolhida de brancos empobrecidos, com os quais passam a estabelecer laços de solidariedade” https://comunidadepatuazinho.blogspot.com/

            Abaixo é possível acessar o vídeo (vídeo 1) e assistir a reportagem. 

Vídeo 1: Apresentadores do Programa Bom dia Amazônia (AP) sobre a comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho. Data de exibição: 20/02/2015. Acesso: https://globoplay.globo.com/v/3981316/

Em síntese a reportagem destaca que a comunidade é formada por quilombolas e indígenas. Além disso, é possível encontrar negros da Guiana Francesa vivendo na comunidade. Um dos orgulhos da comunidade é a mistura dos grupos onde se segue as tradições dos negros e indígenas. Isso é visto como uma espécie de apoio, de parceria, com base na coletividade. Conforme lembra pai Benedito: “O quilombo é onde a gente se acolhe. Nele antigamente se acolhia todas as raças, tanto fazia ser negros ou índios, onde se formava uma comunidade”. Na época da reportagem do Bom dia Amazônia (AP) em 2015, viviam cerca de 60 famílias na comunidade.

Os maiores problemas que a comunidade quilombola vem enfrentando são: 1- a pressão habitacional devido a proximidade com o bairro Infraero; 2- a exploração irregular de mineral e madeira do meio ambiente do território; 3-racismo e preconceito por parte da sociedade envolvente e de servidores ligadas a instituições públicas e empresas privadas.

A reportagem do Bom dia Amazônia destacou que a comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho é a única do Amapá que tem como religião a matriz africana como a Umbanda, o Ketu, Jeju e a Mina Nagô.  Desde 2009, quando foi certificada como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares os moradores esperam pela titulação da terra e acesso aos direitos básicos como educação, transporte público, acesso a saúde e saneamento básico.

 

 

 





quarta-feira, 18 de maio de 2022

O lugar da comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho

 

Especificamente nas fronteiras entre Brasil e Guiana Francesa (Figura 1), onde está localizado o município de Oiapoque, destaca-se a diversidade de grupos indígenas que vivem na região. Com cerca de 30 anos de existência, a comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho é o primeiro quilombo amapaense que se iniciou como quilombo urbano. Os quilombos urbanos são formados por pessoas negras que vivem nos arredores das cidades, que passam a ter um vínculo comum, a ancestralidade negra, ainda que o quilombo seja um lugar para a acolhida de brancos empobrecidos, com os quais passam a estabelecer laços de solidariedade.

Figura 1: Mapa de localização do município de Oiapoque onde se encontra a comunidade. Fonte: Lima; Gambim Júnior, 2022.

No município de Oiapoque, durante a noite, pai Bené sonhou com o lugar escolhido para estabelecer o santuário de São Benedito de Aruanda e assentamento da comunidade deveria ter a presença de uma árvore conhecida como Samauma. A procura pelo local preconizado no sonho levou pai Bené e alguns colaboradores a entrarem em uma área extensa de mata. Ao caminhar pela mata, encontraram a Samauma ou mãe grande, sinal de que era o lugar onde deveria ser fundada a comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho. Em geral reuniões importantes, ou como dizem um "redevous" ocorrem próximo a mãe grande (Figura 2). Ela é uma poderosa árvore lembrada até pelas crianças em seus desenhos (Figura 3). 


Figura 2: Sra. Vilma representante da Fundação Palmares, após reunião na comunidade. Foto: Jelly Lima, 2018. 


Figura 3: Desenho da Samauma ou mãe grande feito por uma das crianças da comunidade. 

O nome Patauazinho refere-se ao córrego que corta o território da comunidade. O nome Patuazinho está relacionado aos patois, uma espécie de amuleto feito para o Candomblé. Já o nome Kulumbu evoca uma comida típica dos negros da Guiana Francesa. O acesso à comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho é possível através de transportes como carro, moto ou bicicleta. Saindo do extremo norte, via BR-156, cerca de 5 km de asfalto, somados a mais ou menos 1 km de terra batida, levam à localização da comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho, no bairro Infraero. Logo na entrada da comunidade, uma ponte de madeira permite o acesso ao lugar (Figura 4).


Figura 4: Acesso principal da comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho. Foto: Jelly Lima, 2018. 

 O território da comunidade é marcado por um rico ambiente de vegetações de floresta densa, de árvores de portes pequenos, médios e grandes. Portanto, é preciso conhecer o significado do território ocupado, onde é consenso que os grupos negros retiram da terra não somente a produção necessária para seu sustento, mas as histórias referentes à ocupação singular do lugar.


(Texto retirado da referência: LIMA, Jelly Juliane Souza; GAMBIM JÚNIOR, Avelino. RELATO DE EXPERIÊNCIA: A prática da pesquisa histórica e o uso de metodologias alternativas para o reconhecimento do território da Comunidade Quilombola Kulumbu do Patuazinho na fronteira franco-brasileira. Revista Kwanissa, São Luís, v. 05, n. 12, p. 437-460, jan/jun, 2022. 

segunda-feira, 16 de maio de 2022

A história da liderança Benedito Anunciação Furtado

Uma das pessoas mais importantes da comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho é o sr. Benedito Anunciação Furtado (51 anos), popularmente conhecido como pai Bené. Em diferentes momentos, em festas, durante o café da manhã ou reuniões, pudemos escutar a história contada pela liderança, portador da entidade-guia do lugar e fundador da comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho.

 No horário da tarde, por volta das 16h do dia 4 de julho de 2020, Benedito Anunciação Furtado (Figura 1), de cabelos grisalhos, sentado em uma cadeira de plástico verde, mãos cruzadas, sempre acompanhado de uma bengala e de sua pequena filha, próximo às raízes de uma árvore chamada Samauma,11 contou a história da formação da comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho para três jovens pesquisadoras.

Figura 1: Sr. Benedito Anunciação Furtado, 51 anos. Fonte: Lima; Gambim Júnior, 2022.

Filho de Eusébio Furtado, negro de ascendência africana e escravizado e de Matilde Anunciação, de ascendência indígena, Benedito Anunciação Furtado nasceu em 1967 no estado do Maranhão, no município de Monção, na localidade de Bolívia, junto ao rio Pindaré, próximo ao município de Pindaré Mirim, lugar que no passado foi povoado principalmente por indígenas e negros. Pindaré Mirim possui hoje uma população de minoria indígena e quilombola. A maior parte da infância de Benedito Furtado foi imersa nas tradições afroreligiosas e quilombola. Conforme ele destaca, sua comunidade original procurou manter as tradições e conhecimentos ancestrais, principalmente herdados dos avós e pais.

No estado do Amapá, a migração e a transição pelos municípios como Porto Grande, Ferreira Gomes e Calçoene duraram cerca de cinco anos. Em 1995, Benedito Furtado, acompanhado por quatro adultos (homens e mulheres) integrantes da família, foi impulsionado para o município de Oiapoque. A dinâmica dessa história começa com a busca por melhores condições de vida como perspectivas de estudos, trabalhos e moradia para seus filhos e família extensa.

(Parte do texto retirado da referência 📃: LIMA, Jelly Juliane Souza; GAMBIM JÚNIOR, Avelino. RELATO DE EXPERIÊNCIA: A prática da pesquisa histórica e o uso de metodologias alternativas para o reconhecimento do território da Comunidade Quilombola Kulumbu do Patuazinho na fronteira franco-brasileira. Revista Kwanissa, São Luís, v. 05, n. 12, p. 437-460, jan/jun, 2022.

Acesso em: http://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/kwanissa/article/view/18624