Uma das pessoas mais importantes da comunidade
quilombola Kulumbu do Patuazinho é o sr. Benedito Anunciação
Furtado (51 anos), popularmente conhecido como pai Bené. Em diferentes
momentos, em festas, durante o café da manhã ou reuniões, pudemos escutar a
história contada pela liderança, portador da entidade-guia do lugar e fundador
da comunidade quilombola Kulumbu do Patuazinho.
No horário da tarde, por volta das 16h do dia
4 de julho de 2020, Benedito Anunciação Furtado (Figura 1), de cabelos grisalhos,
sentado em uma cadeira de plástico verde, mãos cruzadas, sempre acompanhado de uma
bengala e de sua pequena filha, próximo às raízes de uma árvore chamada
Samauma,11 contou a história da formação da comunidade quilombola Kulumbu do
Patuazinho para três jovens pesquisadoras.
Filho de Eusébio Furtado, negro de ascendência africana e escravizado e de Matilde Anunciação, de ascendência indígena, Benedito Anunciação Furtado nasceu em 1967 no estado do Maranhão, no município de Monção, na localidade de Bolívia, junto ao rio Pindaré, próximo ao município de Pindaré Mirim, lugar que no passado foi povoado principalmente por indígenas e negros. Pindaré Mirim possui hoje uma população de minoria indígena e quilombola. A maior parte da infância de Benedito Furtado foi imersa nas tradições afroreligiosas e quilombola. Conforme ele destaca, sua comunidade original procurou manter as tradições e conhecimentos ancestrais, principalmente herdados dos avós e pais.
No estado do Amapá, a
migração e a transição pelos municípios como Porto Grande, Ferreira Gomes e
Calçoene duraram cerca de cinco anos. Em 1995, Benedito Furtado, acompanhado
por quatro adultos (homens e mulheres) integrantes da família, foi impulsionado
para o município de Oiapoque. A dinâmica dessa história começa com a busca por
melhores condições de vida como perspectivas de estudos, trabalhos e moradia
para seus filhos e família extensa.
(Parte do texto retirado da
referência 📃: LIMA, Jelly Juliane
Souza; GAMBIM JÚNIOR, Avelino. RELATO DE EXPERIÊNCIA: A prática da pesquisa
histórica e o uso de metodologias alternativas para o reconhecimento do
território da Comunidade Quilombola Kulumbu do Patuazinho na fronteira
franco-brasileira. Revista Kwanissa, São Luís, v. 05, n. 12, p. 437-460, jan/jun,
2022.
Acesso em: http://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/kwanissa/article/view/18624
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